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    quarta-feira, 28 de julho de 2010

    Eu e Wilson

    Wilson, devo eu voltar a escrever por aqui? Tenho saudade de falar sozinho pros cocos, de mandar mensagens na garrafa. Posso voltar?

    sábado, 29 de agosto de 2009

    Blog, coisa de gente velha


    Se você que lê outros blogs não ficou sabendo disso em nenhum, eu te digo agora: os blogs estão morrendo. E não é só esse aqui: todos os blogs. E esse papo anda forte na "blogosfera". E não é invenção: os blogs hoje estão obsoletos, e virou coisa de gente velha.

    Eu, como velhinho de guerra dessa onda, posso dar meu testemunho.

    Nos anos 90 era fanzineiro. Desde 2001 eu brinco com blogs. No começo era algo realmente fascinante: pela primeira vez podia-se publicar coisas para o mundo todo sem precisar entender de internet, sem programar html, sem ter que gastar dinheiro, sem ninguém te dizendo o que você tem que escrever. Power to the people!

    Àquele tempo, eu ficava incentivando todo mundo a ter blog. Nas empresas que eu trabalhava, montava um blog coletivo, explicava como se postava, coisa e tal.

    O mais legal de tudo é que era simples. Páginas simples, só de textos, pessoas escrevendo de forma natural, sem nóia. Blogs não tinham assuntos definidos, você misturava todo tipo de tema, colocava poesia, letra de música, notícia, falava de você, falava dos outros. Mas o mais importante é que as pessoas estavam, por bem ou por mal, voltando a escrever. A humanidade ainda vai sentir saudades desse tempo.

    Os blogs só tinham textos porque era o que dava pra fazer com a internet de anos atrás. Não dava pra ficar enchendo de fotos, muito menos colocar vídeos e coisas assim. Era simples porque só assim dava pra funcionar.

    Com o passar dos anos, os blogs viraram negócio. Apareceram os blogueiros profissionais, desses que sabem de tudo sobre tudo, e publicam tudo antes de todo mundo. Vários. Blogs colaborativos, blogs em portais, coisa e tal. Blog virou fonte de notícia, lugar pra saber de tudo antes. Se antes você contava nos dedos os blogs interessantes, hoje acompanhar todos os blogs interessantes virou missão impossível.

    Além disso, a internet ficou bem mais rapidinha. Aí que começou o problema.

    Para tudo o que servia um blog, coisas melhores apareceram. Pra saber da vida dos outros, temos o Facebook. Pra ver notícias em primeira mão, lá está o twitter. Pra ver fotos, tem o Flickr, pra ver vídeos, o YouTube, pra ouvir música nova, o Myspace, o last.fm. Até os sites de notícias, que antes comiam muita bola, já ficaram mais agilizados e hoje funcionam bem como fonte de notícias. E atualizar isso tudo dá trabalho...

    Os blogs perderam o bonde "social". Ter um blog é uma coisa meio solitária, apesar dos comentários. Não existe, como em todos os sites acima, a coisa de criar uma rede real com pessoas de interesse comum. Não é só o meu blog que é uma ilha. Todos são.

    Aí pergunto. Então, Pra quê serve um blog hoje? Qual o sentido de hoje acompanhar um site em formato de pergaminho virtual, que não se comunica com outras pessoas, e cheio de notícias velhas?

    Aí respondo: blogs bacanas são os mais lentos. São os que pegam uma notícia, uma idéia, e pensam algo em cima. Não os que ficam só postando links, ou querendo correr atrás do bonde que já passou.

    Os blogs continuarão a ser um espaço muito legal. Em breve começará uma espécie de seleção natural, onde só sobrarão os lugares com conteúdo menos novidadeiro e mais analítico.

    Como o blog da Cleycianne, por exemplo, que usa a notícia pra passar a sua mensagem de louvor ao senhor. :-) Esses blogs acho que sempre existirão.

    Vida longa aos blogs!

    sábado, 1 de agosto de 2009

    Você não tem trocado não? (ou "Irritando George")


    Cena 1: Londres, 2004.
    Eu, turista acidental, fui tomar umas pints num buteco. Uma caneca de breja custava 2 libras e 76 centavos. Pedi a cerveja e dei 3 libras.
    A atendente calmamente contou moedinhas e me deu 24 centavos de troco.
    Pouco depois fui tomar uma outra caneca. Dei novamente 3 libras.
    A atendente calmamente contou moedinhas e me deu 24 centavos de troco.

    Cena 2: Los Angeles, 2006.
    Eu, novamente turista acidental, tinha acabado de chegar na cidade e precisava dar um telefonema. Mas não tinha moedas pra colocar no orelhão. Entrei numa loja aleatória com 1 dólar na mão e pedi pra trocarem em moedinhas pra mim. A mulher do caixa ficou meio preocupada e disse: "não sei se consigo, mas deixa eu ver". E começou a contar moedas.
    Uma hora percebi que ela estava contando MOEDAS DEMAIS! Aí percebi que a moça tinha me entendido errado e iria trocar 10 dólares em moedas! Desfeito o mal-entendido, ela trocou minha notinha de 1 e todos saímos felizes.

    Cena 3: São Paulo, 2009

    Peguei um táxi de noite. A corrida deu 38 reais. Dei ao taxista uma nota de 50. O taxista logo disse:

    Taxista: - Mas você não tem trocado não?
    Eu: - Eu não!
    (pausa)
    Taxista: Mas eu não tenho troco.
    Eu: Olha, dinheiro que eu tenho é esse. Se você não tem troco você pode passar aqui depois com o troco que eu te dou o dinheiro.
    Táxi: Peraí
    (pausa)
    E o taxista "achou" uma gavetinha de cinzeiro cheio de troco, e me entrega, fazendo cara feia.

    Ficam então as perguntas:

    * Por que o comerciante brasileiro acha que eu tenho a obrigação de pagar com dinheiro trocado? Desde quanto isso é problema meu?
    * Por que os comerciantes vêem uma nota de 50 e fazem cara de quem viu um monstro devorador?
    * Por que os comerciantes perguntam "Você não tem trocado não?" mesmo quando eles tem troco no caixa?


    Quer saber? Isso me irrita MUITO!

    quarta-feira, 6 de maio de 2009

    Parabéns Atrasado George!!!!!!!!!!!!!!




    Muitas felicidades!!!

    E bora comemorar!

    sexta-feira, 27 de março de 2009

    Zikizira

    Mais um momento jabaculê. Aqui um clipe que eu acabei de fazer para uma música da trilha sonora do filme "Inversão", do Edu Felistoque (que eu também ajudei a editar). O filme ninguém viu ainda, portanto esse é o primeiro teaser. Divirtam-se.

    sábado, 7 de março de 2009

    Quem quer ser um ganhador de Oscar?

    ou "Ensaio sobre a expectativa" ou "A importância de se fazer um filme ruim de vez em quando"



    "Slumdog Millionaire" (por que não batizá-lo de "O Milionário da Favela"? ficaram com medo de ver favelados indo pro cinema?) estreou nos cinemas brasileiros nesta semana, já depois de ganhar todos os principais prêmios da indústria cinematográfica, incluindo impressionantes 8 Oscars. Uau, então deve é um filmaço, né? Mais do que isso, um clássico moderno, um acontecimento...

    Sim, o filme é excelente. Mas se assistí-lo esperando ver um "Cidadão Kane" dos anos 2000 vai se estrepar. Imagine que não é nem o melhor filme do diretor Danny Boyle - vamos combinar, "Trainspotting" sim, esse é um clássico.

    Mas por que então tanto oba-oba nesse filme?


    O filme se deu bem porque apareceu quando ninguém esperava. Danny Boyle, o diretor, ganhou o Oscar não somente porque seu filme é bom, mas porque o seus últimos filmes eram uma merda e baixaram drasticamente as expectativas de todos quanto ao seu trabalho. Quando fez "Trainspotting", na década de 90, ele se tornou a bola da vez. Mas pouco depois ele cometeu "A Praia", filme mais ou menos que todos queriam que fosse genial e acabou queimando o filme. "Sunshine", seu último filme, era uma ficção científica sem sentido, ruim mesmo. "Slumdog Millionaire" apareceu quando ninguém estava nem aí pro cara, e acabou acertando no milhar.

    Boyle acertou também porque fez um filme "diferente", mas que vem quando vários filmes "diferentes" já acostumaram a indústria à esse tipo de filme. "Cidade de Deus", queira ou não queira, foi o filme que amaciou o eleitorado do Oscar pros filmes pop da favela. Não fosse o filme brasileiro, "Slumdog" não ganharia um décimo dos seus
    prêmios.



    Aliás, o diretor do "Cidade de Deus" acabou sofrendo o efeito contrário do "Slumdog Millionaire". No ano passado Fernando Meirelles fez o "Ensaio Sobre a Cegueira", ótimo filme, mas que veio cercado de tanta expectativa que acabou virando um fracasso. Tivesse sido lançado após meia dúzia de desventuras cinematográficas, o filme estrearia com menos holofotes, e possivelmente surpreenderia muita gente.

    São episódios assim que comprovam uma teoria que eu sempre tenho: a qualidade de um filme (ou de um disco, ou de uma peça) nunca é algo absoluto. A tua satisfação com o filme é na verdade uma média complexa entre a sua expectativa quanto ao filme, misturado com as críticas que você leu antes, os comentários que os amigos fizeram, a época que você vê o filme, a sua vontade de fazer xixi, a quantidade de sono que você teve no dia anterior, a sua relação com a sua namorada naquele dia, a qualidade da projeção, da legendagem, o tipo de compania que você tinha, a sua preocupação com o trabalho, o tamanho da fila do cinema, a qualidade da pipoca e quaisquer outros fatores que o cara que fez o filme nunca vai poder controlar.

    Por mais que os Oscars da vida te digam o que é bom e o que não é, não te deixem definir o que você pensa, ok?



    P.S.: Engraçado que, na minha humildíssima opinião, o melhor filme dessa leva do Oscar é "O Lutador", que vem de uma trajetória bem parecida com a do "Slumdog Milionaire". O diretor, Darren Aronofsky, bombou uma vez com o filmaço pop sobre drogas "Réquiem para um sonho" (que tem muito a ver com "Trainspotting"). Mas logo em seguida cometeu um dos piores filmes que eu já vi, a tenebrosa superprodução "Fonte da Vida". Quando ninguém esperava nada dele, ele se juntou a atores que também estavam na merda (Mickey Rourke e Marisa Tomei), mudou seu estilo e fez um filme absolutamente surpreeendente, que só podia ser dirigido e interpretado por gente que conhece a derrota.

    Tem hora que o melhor é mesmo manter as expectativas alheias bem baixas...

    quinta-feira, 5 de março de 2009

    Zander

    It's jabaculê time. Esse é o último clipe que eu fiz com uns amigos. Divirtam-se.


    Zander - Pólvora from george queiroz on Vimeo.

    sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

    Lista definitiva

    Boa. Em vez de postar aquelas bobagens maravilhosas da internet, é só ver a lista desse cara:

    Lista definitiva de 99 coisas que você já deveria ter visto na internet, a não ser que você seja um fracassado, ou um velho, ou qualquer coisa que o valha...

    Como sou um à toa, já conhecia quase tudo, mas sempre tem algo que passou batido, né?

    domingo, 15 de fevereiro de 2009

    Os melhores discos de 2008 que eu nunca tinha ouvido falar, parte 9 (de 9)


    Subgênero 9) Artistas decadentes

    É muito interessante por parte dos cabeçudos de plantão tentar recuperar artistas decadentes que estão se esforçando pra se manter ativos, mas pouco a pouco se distanciam da glória de antigamente. Uma espécie de serviço de utilidade pública, sabe?

    Nisso, diga que adorou o último disco do David Byrne (foto) com o Brian Eno, que por sinal é legal mesmo, mas obviamente não tem nenhum "Psycho Killer". Ou fale um monte do último do Nick Cave & The Bad Seeds, que é legal não é a última limonada do deserto já andaram dizendo por aí. Ou dê várias estrelinhas para o péssimo disco novo do Portishead (daqueles que você ouve várias vezes e ainda assim não lembra de nenhuma música), ou até para o último do Coldplay, que era uma banda indie, virou uma banda pop e hoje é somente uma banda chata, e que sei lá porque entrou nas paradas cabeçonas.

    E nunca, mas nunca se esqueça de falar do Beck, aquele hippie modernoso que há mais de 15 anos é o "futuro da música", mas só faz lançar discos mais ou menos um atrás do outro e nos dar saudade de "Loser" e do Odelay. Até que o último disco é legalzinho, mas "legalzinho" é eufemismo pra feio arrumado, né?

    Mas é isso mesmo: todos esses merecem estar na listas de melhores do ano por que estão vivos, sobreviveram, e os sabe-tudo estão fazendo sua parte de caridade com os mais velhos. Palmas para todos.


    ****

    Com isso finalizo minha humilde seleção das seleções musicais de 2008. Espero que a meia dúzia de pessoas que passa por aqui de vez em quando tenha conhecido coisas interessantes. Relaxem e esperem por janeiro do ano que vem pra gente se atualizar de novo sobre música desconhecida.

    Os melhores discos de 2008 que eu nunca tinha ouvido falar, parte 8 (de 9)


    8) Música negra "de qualidade"

    O rap é uma espécie de pagode americano. Virou o gênero número 1 dos gringos, e é cheio de artistas farofeiros. Mas assim como no Brasil todo mundo fala que odeia sertanejo mas gosta de Almir Sater, que odeia pagode mas gosta de Paulinho da Viola, claro que tem nego pra dizer que adora um rap "de raiz".

    Dentro dessa lista temos vários tipos: o popular de qualidade, e o hip-hop independente experimental cabeça, e os gêneros "de raiz" da música negra.

    Na música de qualidade, 2008 foi de 2 caras: Lil Wayne e Kanye West. Tenho grande predileção pelo primeiro (adoro a "Lollipop", pronto, falei...), e um grande desdém pelo segundo. Como vocês já conhecem, não preciso indicar.

    Na linha do rap independente, você pode correr atrás do ótimo Steinski, um produtor que desde os anos 80 tem um estilo de misturar vozes sampleadas e ritmos que foi copiado por todo mundo. Ou o Wale, que faz um som bem variado e interessante.

    Na linha música negra, que ultrapassa o rap, você pode dar uma ouvida no último disco da ótima Erykah Badu (foto), que fez um disco estilo trilha sonora de filme anos 70 bem legal. Ou o The Bug, um inglês, que faz uns ritmos lentos influenciados pelo dub.

    Mas, se você quer ir fundo mesmo na black music, você pode cair matando na música africana, ouvindo a dupla de Mali Amadou & Mariam, ou Esau Mwamwaya & Radioclit, do Malaui, que pegam umas músicas indies e fazem versões africanas pop.

    Aí sim você poderá dizer que, assim como a Carla Perez, você também tem raízes negras.

    Os melhores discos de 2008 que eu nunca tinha ouvido falar, parte 7 (de 9)


    Subgêmero 7) Eletrônico hippie cabeção

    Nada mais moderno que música eletrônica, certo? Mas é claro que um moderno sabe-tudo não vai gostar de música pra dançar, né? Isso é coisa pras pessoas felizes. Então tome um monte de bandas que fazem música eletrônica esquisita, conceitual, enfim, feita pra nerd ficar ouvindo em casa sozinho, ou pra colocar em trilha sonora de videoarte. Se o som incluir umas vozinhas viajandonas estilo hippie, melhor ainda.

    Na linha hippie, que tal uma banda chamada Flying Lotus? Se você achou pouco hippie, tente o High Places (foto), esses sim, uma viagem só.

    Se você tá a fim só de experimentalismos com programinhas de computador, corra atrás do DJ/Rupture, que é cheio de climas estranhos, ou o Fuck Buttons (esse é barulhento mesmo), ou o Gang Gang Dance (que apesar do nome, é difícil de dançar). Ou o Max Tundra (que eu achei bem divertido), que faz uma maluquice eletrônica meio anos 80.

    Na linha meio minmal tecno, meio eletro, meio música devagar, vale o norueguês Lindstrøm, ou o Crystal Castles, que servem pra música de fundo de loja de roupa da Oscar Freire. Ou o Hercules And Love Affair, que eu já apresentei como "pop de segunda divisão", mas que tem um sonzinho poperô modernete bem estilo jardins.

    Agora, se você gosta de música eletrônica pra dançar e tal, esqueça essas listas: vá pra um clube de noite e não perca tempo na internet.

    Os melhores discos de 2008 que eu nunca tinha ouvido falar, parte 6 (de 9)


    Subgênero 6) Baladinhas tristes

    Enquanto o violãozinho desafinado domina as paradas, corre por fora uma outra corrente de música calma, que faz baladas melancólicas com mais elementos, como pianos, orquestrinhas, sons eletrônicos e o que aparecer. Claro que isso poderia descambar pro pior do new age e do progressivo, mas é bom ouvir que algumas sabem mesmo construir boas melodias e fazer baladas diferentes. São músicas ótimas pra toque de espera do CVV, ou seja, melhor ouvir longe das giletes e da caixa de remédios.

    Como o Sigur Rós (foto), islandeses malucos que fazem um som maravilhoso, mas frio como o gelo da Groenlândia (o disco deles lançado em 2008 é excelente).
    Tem também o Okkervil River, uma banda um pouco mais roqueira, mais americana, quase na linha do violãozinho desafinada, mas igualmente linda. Dois dos integrantes dessa banda fizeram o Shearwater, que é bem melancólico e vale uma boa lágrima. Se você está numa onda de fog londrino, pode ouvir o Elbow, que é bem interessante.

    Nesse ano apareceram também algumas meninas baladeirinhas, que em geral fazem baladinhas um pouquinho mais felizes. Como a Jenny Lewis, que canta no Rilo Kiley e fez um disquinho de baladinhas roqueiras bem legal, Ou mesmo no pop meio country, meio Carpenters da dupla fofinha She & Him (a atriz fofolete Zooey Deschanel com o velho de guerra do indie M.Ward), que poderia tranquilamente entrar na categoria "violãozinho afinado" não fosse um pequeno detalhe: são afinados...

    sábado, 14 de fevereiro de 2009

    Os melhores discos de 2008 que eu nunca tinha ouvido falar, parte 5 (de 9)


    Subgênero 5) Roquinho honesto

    É claro que pegaria muito mal pra um modernete dizer que não ouve nada com guitarra, baixo e bateria. É aí que entram os grupos de roquinho honesto: aqueles que não tocam nenhum gênero muito estabelecido, tipo punk, metal, etc. Esqueça qualquer guitarra mais pesada, qualquer ensaio de gritaria, é tudo meio PSDB mineiro, bem em cima do muro. Popzinho meio indie-rock ainda serve, mas tem que ser meio etéreo, meio viajandão, meio hippie. Hoje em dia, o bom roquinho honesto é levinho e pode ter uma influenciazinha do country-rock, ou do folk-rock, ou de algo meio anos 60 que nos ligue um pouco ao público neo-hippie do violãozinho desafinado.

    Nesta onda entram grupos como o Vampire Weekend (foto), top ten das duas listas, que no fim das contas faz um ótimo cover do João Penca e Seus Miquinhos Amestrados. O lado hippie fica em bandas como Kings Of Leon e My Morning Jacket, que não escondem uma influência do rock clássico e da música country.

    Mas também podemos ir atrás de bandas como The Hold Steady e The Gaslight Anthem, que fazem um roquinho com cara de Bruce Springsteen, Ou o Death Cab For Cutie, que de tão melancólica antes já foi chamada até de emo, e hoje faz um rock pop de melodias ótimas.

    O rock preguiça, imortalizado nos anos 90 em bandas como o Pavement, também está em alta em bandas como Deerhunter e Frightened Rabbit. São aquelas bandas que tocam como se tivessem acabado de acordar. O pop rock de camisa social e tecladinhos moog também continua representado em formações como o Wolf Parade ou Los Campesinos!, que fazem um pop rock com cara de Bidê ou Balde melhorado.

    Pra não dizer que eu falo mal de todo mundo, tem também a vertente criativa do rock honesto, que não se encaixa em gêneros não por que tem medo de pegar pesado, mas porque são criativos mesmo: nessa onda, coloque o sempre ótimo TV On The Radio, que fazem ótimos sons em vários estilos, e o The Kills, que faz uma linha rock de garagem só que com muito mais coisas. Essas 2 bandas lançaram discos muito bons esse ano e merecem estar em qualquer parada.

    Os melhores discos de 2008 que eu nunca tinha ouvido falar, parte 4 (de 9)


    Subgênero 4) Experimental moderninho

    Se você não gosta do Animal Collective (foto) você não é moderno o suficiente. Ponto. Tem tempo que eu estou procurando graça na banda, mas ainda não consegui - e olha que eu adoro um post rock, e invejo o pessoal do Aporias.

    O experimental moderninho de hoje é complicado: vozinhas hippies meio new age, meio "violãozinho desafinado", misturado com umas guitarras fazendo microfonia e absolutamente nenhum ritmo. Impressionante como isso pegou.

    As bandas que seguiram essa cartilha se deram bem nas listas de 2008, mesmo que ninguém tenha tido coragem de ouvir seus discos até o fim, porque não dá. O No Age, top ten em várias listas, é uma delas. Mas tem também o Dosh, o Fennesz, o Fuck Buttons, o High Places, o Atlas Sound, ou o Grouper (mistura de experimental moderninho com violãozinho desafinado) Crystal Stilts (já num esquema meio Joy Division).

    O primeiro que ouvir todas essas bandas prestando atenção e sem pular nenhuma faixa ganha um prêmio.

    Os melhores discos de 2008 que eu nunca tinha ouvido falar, parte 3 (de 9)


    Subgênero 3) Rock zona

    Moderninho de hoje tem uma relação estranha com o rock. É tempo de gostar de violãozinho, e uma guitarra mais pesada pode pegar mal. Coloque qualquer som mais bem feitinho na frente dele que ele faz que desconhece: nada de punk rock, nada de heavy metal, nada que já tenha seu público. O único jeito de gostar de rock e continuar hype é apelar pro rock zona, aquelas bandas que fazem barulheira sem juntar lé com cré, e tiram qualquer possibilidade de algum dia aquilo ter público.

    Pelo menos tem bandas que fazem uma zona divertida: o The Mae Shi (foto), por exemplo, fazem um som lixo, mas muito engraçado. Bem na onda do Ponytail, outra banda que faz uma bela zoeira. Ou a Marnie Stern, uma guitarrista maluca que toca muito bem e faz um som pra lá de maluquinho, mas bem original. Ou as Vivian Girls, banda "de meninas" que parece que está tocando no Hangar 110 antes de 3 outras bandas iniciantes do ABC paulista. Ou a Times New Viking, que faz um rock lo-fi que lembra coisas boas dos anos 90 como Guided By Voices e Sebadoh.

    Um dia alguma dessas bandas vai aprender a tocar e fazer sucesso. Aí vai perder toda a graça.

    Os melhores discos de 2008 que eu nunca tinha ouvido falar, parte 2 (de 9)


    Subgênero 2) Pop segunda divisão

    No meu tempo, música pop era aquela música pra cima, alegre, feita pra tocar em casamento, em festa de apê, e não necessariamente boa. Mas a música pop também virou auto-referente, sinônimo de música melosa feita com tecladinhos, batidinhas simplórias e, claro, sem guitarras ou gritarias.

    Moderninho que se preze até diz que gosta de música pop. Mas não é o pop da Katy Perry ou da Britney Spears: gosta das coisas novas, aquelas que ainda não caíram na boca do povo. Sei.

    O hype de escutar antes "a nova sensação" virou algo fora de controle. Então só assim pra turma cabeçuda achar que a nova onda está em popzinhos vagabundos, como o MGMT (foto), um Depeche Mode hippie piorado, ou o Cut Copy (que também faz um hippie anos 80 bem fraquinho), que estão bem na moda hoje em dia. Ou o Of Montreal, que parece pop mas é tão confuso e riponga que não dá pra aguentar o disco inteiro. Mas é claro que 2008 nos trouxe outros exemplos de novidades mais ou menos: Glasvegas (pop inglês genérico), Hercules And Love Affair (ok, tem a voz bacana daquele cara do Antony and the Johnsons, mas o som é um pop vagabundo), M83 (pop hippie, chega!).

    Mas também tem os popzinhos diferentes. São da segunda divisão, sim, não tocam em casamentos, mas são criativos e mostram coisas novas. O Hot Chip, por exemplo, faz discos chatinhos, mas sempre acertam uma: "Ready For The Floor" é uma das melhores músicas do ano, com certeza. Ou a Likke Li, que faz uma música esquisita mas que quando você menos espera está adorando.

    Na minha lista pop eu colocaria "I Kissed A Girl", mas deixa pra lá, eu não sei de nada...

    Os Melhores discos de 2008 que eu não conhecia, parte 1 (de 9)


    Subgênero 1) Violõezinhos desafinados

    É o nome que eu dou para o neo-folk, ou o anti-folk, ou o indie-folk, ou alternative-folk, ou o que mais quiserem nomear. O fato é que até pouco tempo atrás roqueiro gostava de guitarra, baixo e bateria, e de repente todo mundo só quer saber de cantores desafinados tocando violãozinho como em sarau da faculdade e músicas estilo Festival da Canção de Nova Era. Nada contra, inclusive tem muita coisa boa rolando, mas esse fenômeno devia ser estudado. Um dia escrevo minha teoria sobre o assunto.

    Na "safra" de 2008, os violõezinhos apareceram bastante. Como na banda mais hype do ano, a chatinha Fleet Foxes (foto), a banda número 1 das duas listas.

    Mas também você pode escutar violõezinhos desafinados em várias obscuridades interessantes, como Bon Iver, The Tallest Man On Earth (uma espécie de Bob Dylan sueco, muito interessante), Bonnie Prince Billy (belo disco esse Lie Down In the Light), Department of Eagles, The Dodos e Sun Kil Moon. Qualquer um desses é muito melhor do que o Fleet Foxes, mas tudo bem. Quem sou eu pra negar a Pitchfork Media e os blogueiros gringos...

    sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

    Os melhores discos de 2008 que eu nunca tinha ouvido falar, introdução

    Fim de ano é um momento especialmente importante para os sabe-tudo metidos a besta. É o tempo em que eles ficam todo ouriçados para fazer e divulgar as suas listas de melhores do ano. É inevitável.

    E isso rola com entendidos de qualquer assunto: os entendidos de moda, de quadrinhos, de cinema, de vinhos, de restaurantes, de informática, e, é claro, de música, todo mundo gosta de inventar suas listinhas em dezembro.

    Agora que todo "conosseur" de alguma coisa pode ter um blog, eles podem destilar à vontade todo o fato de que eles são mais bem informados do que você, leitor. Por isso, o grande prazer das pessoas que fazem listas de melhor de ano é falar que o melhor do ano foi algo que você não faz idéia do que é. Como você não conhece?????

    Pois nesse mês de janeiro, tirei pra "ouvir" 2 listas de melhores discos do ano: a do Music Zeitgeist, que resume o que um monte de blogueiro sabe-tudo diz, e a do Pitchfork Media, basicamente o site mais cabeçudo sobre música de todos.

    Não que eu seja nenhum ignorante em música. Leio o que posso, ouço o que posso, baixo o que posso, mas sem neurose. Mas foi muito interessante ver que, os sabe-tudo de hoje em dia andam tão sabe-tudo que eu não conhecia nem 1/3 dessas listas. E imagino que só alguém muito maluco conheceria, dada a quantidade de maluquices que estão lá. Os sabe-tudo de música estão descontrolados, e cada vez mais obscuros. Eles já não estão entre nós.

    Mas lá veio eu, cabeçudo e resolvi ouvir tudo que eles citaram. Sim, esse mês ouvi mais de 50 discos novos, a maioria de gente que eu não conhecia. E digo a vocês: é difícil ouvir tanta música cabeça. Então resolvi poupar o trabalho de vocês e pelo menos dar uma separada no que quem sabe pode ser legal pra você procurar.

    Nos próximos dias vou passar a limpo as listas dos melhores do ano e dichavar pra vocês o que pode ser interessante dentro de cada gosto musical.

    Até logo.

    sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

    Ireneeeeee!

    Seja bem-vinda Irene!!!!!!!!!!!!!!

    terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

    Preguiçosa

    Ô Irene! Cadê você?
    Eu vim aqui só pra te ver!!!