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    segunda-feira, 13 de outubro de 2008

    José Castillo, o anti-herói boliviano

    Vejam essa história. É 100% real, aconteceu anteontem, mas bem que poderia estar num livro de auto-ajuda, ou num filme de sessão da tarde:

    José Alfredo Castillo Parada é mais um imigrante boliviano que veio para o Brasil tentar a vida. Podia muito bem ter parado numa tecelagem do Bom Retiro em São Paulo, trabalhando dia e noite como semi-escravo. Mas foi tentar a sorte no futebol, logo no ramo onde os brasileiros são os melhores.

    Acontece que, como boa parte dos seus conterrâneos, Castillo é mão-de-obra de baixíssima qualificação. Joga mal como o capeta. E por isso mesmo foi parar num empresa pequena, dessas que um dia foi grande e tenta voltar aos velhos tempos. Mas nessa empresa tudo dava errado, e a produtividade andava caindo ano após ano. Mesmo num time ruim, ele não conseguia se firmar no emprego, e literalmente só dava bola fora.

    Desde o início do ano no Brasil, ele fez vários jogos e, apesar de ser centroavante, não conseguiu fazer nenhum gol. Nenhum. Perdeu vários gols cara a cara com o goleiro. Foi humilhado, vaiado. Foi vítima de preconceito. Foi alvo de piadas. Dizem até que ia perder o emprego.

    Pois a sorte lhe sorriu anteontem como não sorriu pra ninguém. Quando o maior ídolo do seu time não pode jogar, ele foi colocado em campo. Mas não era num campo qualquer, num jogo qualquer. Era no Maracanã, o maior estádio do mundo, na frente de 80 mil pessoas, contra a maior torcida do Brasil, contra um time mais do que favorito. O que ele estava fazendo ali? Ora, Castillo não tinha nada a perder.

    E não perdeu. Ainda no primeiro tempo do jogo, com o placar zerado, uma bola espirrada quicou na frente dele. Meio sem saber o que fazer, o cara chutou pro gol.

    E a bola entrou. No ângulo. Um golaço. E golaço feito no Maracanã cheio é muito mais do que um golaço. É história.

    Sim, Castillo, o imigrante boliviano ruim de bola fez o seu primeiro gol no Brasil. Simplesmente um golaço histórico.

    Ali, pela primeira vez, todo mundo queria ser Castillo, o cara que fez o golaço no Maracanã. Mesmo que um dia ele volte a ser o Castillo, o anti-herói boliviano.

    2 comentários:

    Pedro disse...

    golaço
    eu era galo desde criancinha nesse dia

    Cathwillows disse...

    Não consigo ver os vídeos aqui!
    Me fala em que time ele joga? E jogou contra o Flamengo?